Quatro vezes Paris

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Definitivamente, a capital francesa é para todos. Com uma lista infinita de opções turísticas que quase sempre são um convite para uma segunda, ou muitas outras, visitas ao destino, a cidade Luz recebeu, em 2010, em torno de 15 milhões de estrangeiros. Esportistas e amantes da natureza contam com mais de 400 parques e jardins, o que rendeu à cidade o título de mais arborizada da Europa; aficionados em arte têm diante dos olhos um variado mundo de manifestações artísticas de todas as épocas em mais de 150 museus que levam visitantes a fazer uma viagem da pré-história aos dias atuais; e os dispostos a caminhar podem ver obras de arte em pleno ar livre espalhadas sobre pontes, igrejas, palácios e fontes.


E como não poderia ser diferente, o mercado hoteleiro parisiense também é capaz de surpreender forasteiros com opções de hospedagem que por si só já valem como atração turística. Para ajudá-lo na difícil escolha da melhor experiência na hora de dormir em Paris, a Cool Magazine fez uma lista com uma seleção de quatro estabelecimentos imperdíveis, históricos ou moderninhos, para todo tipo de viajante.

Shangri-la Paris

O cenário é um palácio em frente ao rio Sena. Diante dos portões originais de ferro, homens de chapéu e sobretudo preto esperam o desembarque do próximo hóspede para abrir-lhes as portas de acesso ao salão principal, revestido com madeira e mármore. Os monogramas desenhados ao redor de cada uma das salas, onde se leem as iniciais ‘r’ e ‘b’, não deixam dúvida: o hóspede acaba de entrar em um original pedaço da História francesa.
Construído em 1896, – um estilo eclético com influências arquitetônicas dos séculos XVII e XIX – o Palais Léna serviu de residência para o príncipe Roland Bonaparte, sobrinho-neto do temido imperador francês Napoleão Bonaparte. E isto já é motivo suficiente para escolher o local como uma das experiências hoteleiras mais autênticas de Paris. Após um longo processo de reforma, que levou quatro anos, este espaço de 3 mil m² abriga agora mais de 80 quartos com 47 m², em média, decorados com detalhes que remetem aos anos imperiais e às influências asiáticas trazidas pela rede que cuida do local.

 
O local faz parte da rede Shangri-la, grupo de Hong Kong que administra mais de 70 hotéis em todo o mundo e que, em 2010, abriu esta que é a sua primeira propriedade em território europeu.

O hotel se orgulha de alguns títulos como a estrela Michelin do impecável Shang Palace, restaurante de cozinha cantonesa com decoração assinada por profissionais de Hong Kong e pratos elaborados pelo chef Frank Xu que fazem um transporte visual e gustativo à distante China e sua interminável sequência de pequenas porções conhecidas como dim sum.

No entanto, o melhor fica do lado de fora. Todosos quartos do hotel contam com um terraço com vista para o ícone máximo parisiense: a Torre Eiffel. Com a História batendo à porta e a torre mais famosa do mundo acesa bem em frente à cama, fica difícil conseguir dormir.

 

Mandarin Oriental

 Com uma vizinhança formada por nomes como Armani, Prada e Colette, é de se esperar que a clássica rue Saint-Honoré, via construída no século 13, tenha um hotel com decoração inspirada no mundo feminino. As referências do delicado projeto de decoração de interior, que foi buscar estímulos visuais na Paris dos anos 30, quando circulavam figuras como Madeleine Vionnet e Gabrielle Chanel – estão nos móveis de formas curvilíneas de cada uma das unidades, na reprodução da foto clássica do beijo do fotógrafo Man Ray, estampada em paredes aveludadas dos quartos e corredores; e nas obras de arte que homenageiam as mulheres como as 14 mil flores de origami do spa e a imensa escultura de Decoster no lobby do hotel que simboliza a liberdade frágil suspensa por um fio.

Localizado a poucos metros da Place Vendôme e dos Tuileries Gardens, o Mandarin Oriental Paris funciona desde 2011. Além de uma construção dos anos 30 em estilo art déco, possui quartos com dimensões que garantiram ao hotel estar na lista das unidades hoteleiras mais amplas da cidade. No total, são 138 unidades com opções de vistas difíceis de serem escolhidas: as com terraço diante da Torre Eiffel ou as voltadas para as vitrines das marcas mais famosas do planeta. Neste hotel, respira-se moda e elegância, não só em seu interior como também do lado de fora.

Lutetia


História e arte se encontram neste clássico parisiense do bairro Saint-Germain. Inaugurado em 1910 como o primeiro hotel em estilo art déco de Paris, o Lutetia já hospedou nomes como Matisse, Antoine de Saint-Exupéry e Picasso. Com uma lista tão inspiradora de hóspedes célebres, não é de se estranhar que um dos destaques seja a mistura harmoniosa de móveis clássicos com obras de arte contemporânea nas áreas sociais do hotel como a homenagem que o escultor francês César Baldaccini faz a Gustave Eiffel.

Durante os duros anos da Segunda Guerra Mundial, o departamento de inteligência alemão se instalou no local que, mais tarde, serviria também como abrigo para as pessoas que deixavam os campos de concentração. Sua localização central permite ao hóspede chegar, em poucos minutos de caminhada, à endereços obrigatórios de Paris como o Jardim de Luxembourg e o Museu Rodin.

 Seven Hotel


Em meio a tantas construções clássicas que carregam no DNA anos de História, este hotel é o paraíso para quem procura dar ares de contemporaneidade a sua estadia na capital francesa. Mais do que um hotel, o Seven é inspiração para os olhos e para o espírito. Seus quartos com decoração exclusiva em cada um deles são uma viagem arrojada pelo mundo da ficção assinada por quatro decoradores que abusaram da imaginação para montar ambientes temáticos como a suíte ‘007’ em que Vincent Bastie cria um quarto envolto por um arco de madeira que relembra ambientes frequentados pelo famoso agente secreto com submarinos e passagens secretas, ou a suíte ‘Maria Antonieta’ em que Sylvia Corrette retrata a relação secreta entre a arquiduquesa da Áustria e o jovem duque Axel de Fersen. A suíte, longe de ter ares reais, é decorada por uma cama no centro do quarto, envolta por uma cortina decorada com frases que parecem revelar segredos amorosos, móveis que vão do branco aos clássicos tons de rosa, e uma pintura a óleo no teto cuja iluminação simula o nascer e o pôr do sol.


A imaginação parece seguir sem limites neste hotel inaugurado em 2010 após dois anos de reforma. Outros ambientes temáticos como o psicodélico ‘Alice’ e os quartos com luz negra que fazem a cama parecer que estão flutuando fazem deste hotel uma das experiências mais inesquecíveis de Paris.

Serviço

Shangri-la Paris
10, Avenue d’Iéna
www.shangri-la.com

Mandarin Oriental
251, rue Saint-Honoré
www.mandarinoriental.com

Lutetia
45, boulevard Raspail
www.lutetia-paris.com

Seven
20, rue Berthollet
www.sevenhotelparis.com

 O jornalista Eduardo Vessoni viajou a Paris a convite da TAM (www.tam.com.br) e com apoio da Interpoint Marketing (www.interpoint.com.br)

Por Eduardo Vessoni
Fotos: Eduardo Vessoni

Nota publicada na coluna França da Cool Magazine ed. 98.