SPFW – ESPECIAL 25 ANOS – Cobertura do primeiro dia

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Texto: Caroline Menis

Imagens: Divulgação São Paulo Fashion Week

Confira o que rolou no primeiro dia do evento digital.

O São Paulo Fashion Week deste ano foi especial em comemoração aos 25 anos do evento em formato digital, trazendo o tema inspirador “Moda e arte para transformar” que celebra a criatividade e a sua história desde 1996, a partir de uma agenda de conteúdos inéditos até o dia 08 de novembro.

O evento do São Paulo Fashion Week faz transmissões digitais desde 2001 e foi a primeira semana de moda à neutralizar as emissões de carbono, com o pilar da diversidade e tecnologia. Essa edição, a primeira 100% digital, de forma história e interativa, levou a moda para as ruas, neste momento de ruptura, instalando o verdadeiro século 21, transacionando, experimentando, resinificando a moda brasileira. 

Além disso, Paulo Borges, idealizador e diretor criativo do evento, em um movimento inspirador, adquiriu um Tratado Moral para os desfiles que, a partir dessa edição, garante que 50% dos castings devem ser de modelos racionalizados (negros, indígenas e/ou asiáticos) com a visão de construir um mercado mais inclusivo na indústria da moda brasileira. 

Nesta quarta feira, o primeiro dia (04/11), contou com a apresentação de seis marcas nacionais renomadas que fizeram pequenos clipes vídeo-arte, introduzindo a singularidade de cada coleção. Fernanda Yamamoto, Victor Hugo Mattos, Isabela Capeto, ÀLG, Lenny Niemeyer e a estreia de Irrita por Rita Comparato abordam com clareza a semiótica do vestir criativo com DNAs autorais e peças majoritariamente handmade. 

Fernanda Yamamoto, dá início a temporada digital com sua coleção ‘Palíndromos’ (palavras que podem ser lidas de trás para frente, mantendo o mesmo sentido) com jogos de palavras e frases em estampas artesanais que constroem a personificação da poesia. Clarisse Romeiro, do Veredas Atelier, criou um carimbo esculpido à mão em conjunto com o ateliê da estilista, transformando-o em estampa. As peças são feitas em parceria com a Sou de Algodão, movimento que cultiva a moda responsável brasileira, criada em tricoline de algodão da Fiobom Nacional, com estamparia manual. 

Em seguida, Victor Hugo Mattos, que participou do Projeto Estufa no ano passado, trouxe um resgate à ancestralidade familiar, no âmbito de investigação pessoal. O cenário da sua coleção foi inspirada na orativa do sol e a multilinguagem de inserções de matérias que captou na Bahia durante seu recolhimento da pandemia. Mattos é conhecido pelo seu trabalho artesão e originalidade nas peças e acessórios que carregam a energia no natural maximalista e regional, portanto nessa coleção chamada Cálida, não seria diferente. O vídeo-apresentação dividido em três capítulos (Alvorada, Ocasos e Eclipse) mostra a visão do estilista em capturar o extraordinário de cada ser. As peças feitas a partir de garimpos upcycling e também produzidas do zero, 100% artesanal com bordados em crochê handmade, miçangas, conchas e adornos ultra decorados. 

IRRITA foi a marca de estreia nesta edição do SPFW, pelas mãos da veterana das passarelas Rita Comparato. A coleção mostra o DNA autoral de Rita nas peças e mostra sua expertise em estampas únicas, artesanais. No vídeo-apresentação da marca, em uma recriação de simulação da pandemia, podemos destacar as cores vibrantes, caimento amplo, trazendo um estilo rústico despojado e descomplicado, que remete a lembrança afetiva do paradoxo vestir na pandemia e conexão ao coletivo. 

A quarta marca à se apresentar foi Isabela Capeto, ‘Brota’ transmite um resgate à alegria com padronagem de estampas divertidas e diferenciadas – marca registrada da estilista carioca – , desenhos feito a mão, listras, florais e poá são o carro chefe da coleção. Tules, babados, mangas bufantes, peplums e cores como vermelho, roxo e branco são intercalados com a magia de ressignificar a ruptura de valores um novo desenvolvimento de ideias que se transformam e ganham novos significados durante a pandemia, fortalecendo um novo florescer do “novo mundo”, com a sintonia da roupa que dança, que tem movimento.

A penúltima apresentação contou com o desfile digital da marca ÀLG de Alexandre Herchcovitch e Fabio Souza que continua fazendo jus a identidade da marca: streetwear com peças esportivas e coloridas. Neon, shorts biker estampados e moletons exploram o estilo agênero trazendo uma nova visão de moda esportiva, e também, com novidades em alfaiataria sem perder o conforto. O estilo despojado e fashion faz a interligação com o “novo normal”. O acessório indispensável que Alexandre e Fabio resgataram nesta coleção foram mochilas estilo sac bag, versáteis e estilosas, compondo o look minimalista e esportivo das peças. 

Lenny Niemeyer, conhecido por trazer sofisticação e peças únicas de beachwear, apresentou sua nova coleção com inserções da mulher moderna que cada vez mais prefere uma moda multiuso, submetendo a personificação da mulher elegante, com conceito ‘além-da-praia’. Os mix de tons vibrantes com estampas geométricas valorizam a moda praia em um conceito amplo de fashionismo, com cortes aprimorados. As saídas de banho remetendo a túnicas, babados, camisas com gola laço e vestidos plissados, os biquínis e maiôs, estrelas de sua marca, ganham mangas bufantes, golas exageradas e franzidos assimétricos.