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Gustavo Pires, o Delivery Man

São Paulo, 2026

Aos 29 anos, Gustavo Pires assumiu uma estatal com dez anos seguidos de prejuízo e uma pandemia pela frente. Saiu quatro anos depois com o setor de eventos de São Paulo em outro patamar. A história que ele conta é sobre método e sobre não deixar nada pela metade.
Descanse no final, não no meio

Gustavo Pires tinha 29 anos quando assumiu a presidência da SPTuris – São Paulo Turismo S/A – diante de um cenário que poucos executivos aceitariam: dez anos consecutivos de prejuízo, um déficit orçamentário na casa dos R$ 55 milhões por ano, estrutura engessada e uma pandemia que havia paralisado o setor de eventos no mundo inteiro.

Não era a primeira vez que ele carregava uma responsabilidade desproporcional à idade. Antes da SPTuris, Pires já tinha sido o secretário municipal mais jovem da história de São Paulo – um cargo que aprendeu a exercer na velocidade do setor privado sem abrir mão da linguagem do público.

A burocracia, ele diria mais tarde, não é um obstáculo intransponível – mas precisa ser revista. “O setor público brasileiro está exageradamente burocratizado”, afirma Pires, que se define como um desburocratizador. “É um processo que pode ser redesenhado quando há vontade e clareza de propósito.”
Da clareza ao método
Na SPTuris, essa clareza virou plano de ação. A primeira decisão foi estrutural: uma redução de 37% nas despesas administrativas não por corte linear, mas por redesenho de processos e renegociação de contratos que consumiam recursos sem gerar valor equivalente.

A segunda foi estratégica, e mudou a natureza da empresa. Pires abandonou a lógica dos eventos avulsos e passou a montar um portfólio de impacto internacional. Deixou de perguntar o que a SPTuris tinha a oferecer e passou a perguntar o que o mundo queria ver acontecer em São Paulo.

A resposta veio em forma de agenda. Segundo dados da própria SPTuris relativos ao período, a cidade recebeu NFL, Fórmula 1, Lollapalooza, The Town, UFC, Primavera Sound, WEC, Fórmula E e um Réveillon na Avenida Paulista com cerca de dois milhões de pessoas. Foram mais de dez mil eventos executados em quatro anos, com geração estimada de centenas de milhares de empregos, diretos e indiretos, e um impacto econômico que a companhia calcula em mais de R$ 22 bilhões para a cidade em 2024. Ainda de acordo com a empresa, São Paulo registrou 47,2 milhões de visitantes em 2025 – recorde na série histórica.

A concessão do Complexo do Anhembi à iniciativa privada, em parceria com a GL Events, fechou o ciclo de transformação estrutural. Nos balanços da companhia, a SPTuris encerrou 2024 com lucro de R$ 150 milhões, ante os cerca de R$ 55 milhões de prejuízo anual que Pires diz ter herdado, e um resultado positivo acumulado de R$ 301 milhões em três anos.
A conta das horas
Pires deixou a presidência da SPTuris em fevereiro de 2026 e sobre o ritmo daqueles anos, a resposta é direta: doze a catorze horas de trabalho presencial por dia, em média, com jornadas frequentes de quinze. “Não era disciplina de relógio. Era a consequência de não aceitar que o trabalho ficasse pela metade. A NFL não veio ao Brasil porque alguém mandou um e-mail. Veio porque houve dezoito meses de negociação sem parar no meio.”
Assim Gustavo se tornou o Delivery Man, alguém com capacidade de execução e entrega. O entregador de trabalhos. Alcançando objetivos.

A frase que ele cita como bússola é de Kobe Bryant: “Descanse no final, não no meio.” Para Pires, ela não é motivação – é processo e repetição.

O que vem agora é um novo capítulo: palestras, consultoria e projetos selecionados. Construído, ele diz, sobre o mesmo princípio que guiou tudo o que veio antes. Entrega real. Execução. Verificável. Com nome e número. “Resultado não espera. Eu também não.”

Gustavo Pires · @gustavopires.oficial