SPFW 25 ANOS – Cobertura do segundo dia

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Texto: Caroline Menis

Imagens: Divulgação São Paulo Fashion Week

Confira quais foram as tendências do segundo dia do evento digital. 

Pedro Korshi lançou a coleção “Armário Inteligente” e apostou em fluidez com alfaiataria em cores neutras, maxi bags coloridas e detalhes com botões e assimetria. O que mais chamou atenção nessa coleção foram as calças-short com fendas trazendo um olhar contemporâneo e jovem com capas e máxi-glasses em coleção conjunta com a Chilli-Beans. Korshi começou no projeto estufa e levou adiante os conceitos da marca de armário cápsula e a relação entre o novo e o digital. O espírito da marca, com o DNA do designer envolvendo a versatilidade e o multifuncionalismo, trouxe agilidade e sustentabilidade em 10 peças.  

Ponto Firme de Gustavo Silvestre foi a segunda apresentação, muito emocionante e jovial. A renda, o estilo romântico e boho nos vestidos fluídos foram peças de upcycling de peças da marca NK. A estampa única do crochê torna a marca ainda mais original, a partir do  projeto Ponto Firme que leva o trabalho artesão para as penitenciárias e capacita os detentos da Penitenciária Adriano Marrey, e entra como ferramenta de customização no vestuário. Peças com franjas, transparência, gola godê são o carro-chefe da coleção. As mangas estilo princesa e o recorte delicado com babados nos vestidos trazem de volta a esperança, através do afeto, design e estética. Gustavo ainda diz que, o projeto da marca enfatiza a economia afetiva e de urgência e tenta auxiliar (social, ambiental e economicamente) a luta contra o sistema carcerário, ajudando presidiários a se reintegrar na sociedade, cuidando desses grupos. A coleção tem esse caráter de retomada e liberdade, recomeço. “Devemos participar da cadeia econômica, a moda abre este espaço”. 

A.Niemeyer lança sua coleção “Origem” com o intuito de se firmar como marca atemporal e que preza pelo conforto, com peças novas e antigas. Os tons terrosos e crus criam o cenário perfeito com modelagens amplas e longas. Cintura marcada com corsets de tecidos e cinto trabalhados fazem contraponto com a silhueta solta e plissada de algumas peças, e  estampas geométricas, que nos remete ao estilo básico e urbano. 

O mini-documentário de Alexandre Herchovitch, em comemoração aos seus 50 anos, relembra seis looks históricos de sua carreira. O vestido de tricô longo e preto, feito pela sua mãe, tricotados à mão com saia rodada em pontos abertos na parte do corpo, estilo Mortícia Addams e em roupas de viúva, inspirada nos anos 40. O Pelerine em gobelin trabalhou o forro do fundo da roupa, com barras coloridas. O estilista tendo sempre uma preocupação muito grande em como vai ser o interior das roupas, enaltecendo o forro, fazendo com que eles fossem muito maiores que a própria roupa e caíssem para baixo “sobrando”, com um conceito de capuz tipo ‘chapeuzinho vermelho’ e desenvolvimento do tecido jacquard. Outro look foi o de tecidos leves em crepe e seda, fino e transparente, pesos em formato de corrente, exagerando na elasticidade da fibra natural que é dado pelo tecido, dominando o volume da roupa com as correntes, segurando a fluidez e negando a leveza do tecido. O maior símbolo dessa coleção foi ter tirado a propriedade natural desse tecido, extraindo desses materiais um algo a mais, para não exercer a função que se espera dele. A coleção inspirada no Boy George, foi escolhida pela liberdade e itens do universo feminino com uma silhueta única: camiseta quadrada. Chapéus feitos com o chapeleiro que faziam os de George. Em uma de suas coleções, estudou a forma como a Marilyn Monroe se vestia e se inspirou em elementos que mostrassem o corpo, com casacos de látex. Um desfile incompreendido, porém usado como metodologia de estudo e desafio. O último look foi inspirado nos anos 50, cores suaves, formas que enaltecem a cintura, várias roupas do avesso para fora, técnicas de costura a mão com alguns detalhes no forro que só eram vistos nessa época, e todos originais vintage, peças únicas e exclusivas, fazendo uma forte crítica com trabalho feminino, leve e romântico. Segundo Alexandre, o que unem essas coleções são aspectos transversores, o inconformismo, a liberdade e a cabeça aberta para a criatividade. 

SLAMA, em um formato de desfile tradicional, apresentou sua nova coleção com cores vibrantes e solares. Os biquínis ousados, maiôs monocromáticos e estampas criativas que remetem ao verão tropical brasileiro, super cavados e as saídas de banho com recortes simples e amplos, com transparências. Nas peças masculinas, sungas, camisas estampadas e shorts curtinhos são parte da tendência do verão 2020/2021. 

A ANOTHER PLACE, última da noite, fez uma apresentação com aspectos futuristas, remetendo a um futuro onde ‘tudo volta ao normal’ pós pandemia. O que mais chama atenção é um homem, vestindo maiô e botas de látex, dançando em um pole dance, hipnotizando a todos. Este cenário se trata de uma mistura da realidade e utopia a partir de peças onde o DNA da marca esportivo e sem gênero se posiciona, usando tecidos 100% algodão em suas criações.