Chique, Civilizada e Multimídia

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Entrevista exclusiva com o ícone fashionista, Gloria Kalil

Texto: Barbara Massari

Foto: Walter Cereja 

Ao longo dessa matéria, você verá alguns parênteses e barras indicando variação de gênero em artigos, pronomes, adjetivos e substantivos. Resolvemos acompanhar essa “brincadeira linguística” que a jornalista e consultora de moda, Gloria Kalil, faz no seu livro “Chic Profissional”, publicado em 2017, com o intuito de reparar uma característica da língua portuguesa que coloca o gênero feminino sempre abaixo do masculino. Não fica cansativo para ler? A autora, com muito bom humor responde: “Fica! Mas cansativo mesmo é ser tratada como cidadã de segunda classe pela própria língua!”.

A paulistana Gloria Kalil é jornalista, empresária e consultora de moda empresarial. Iniciou a carreira como jornalista na Editora Abril, depois passou para a indústria da moda quando coordenou o departamento de criação de uma importante tecelagem brasileira. Além disso, foi proprietária de uma das mais famosas marcas de moda do país dos anos 80, a Fiorucci.

Gloria é autora de grandes best sellers nacionais, como o Chic – Um Guia Básico de Moda e Estilo, Chic Homem – Manual de Moda e Estilo e Chic[érrimo]. Também foi pioneira no jornalismo de moda via internet no Brasil com o site www.chic.com.br, além de colaborar com matérias e textos para a televisão, rádio, web e imprensa escrita. Tudo isso graças à sua credibilidade no ramo da moda, sendo considerada a primeira influencer do país. 

Aos 75 anos, Gloria apresenta uma elegância atemporal. Não é à toa que a revista VEJA São Paulo fez uma capa com a jornalista, com o título da matéria “Chique, civilizada e multimídia”. Para ela, quando o assunto é etiqueta, está muito mais relacionado à questão de respeito a (ao) próxima (o) do que qual talher usar em uma refeição. 

De acordo com Gloria, a maior gafe de todas é cuidar da aparência e esquecer de tratar bem a (o) próxima (o). Ela ressalta que a elegância é essencial, pois diz muito sobre quem é cada indivíduo. Ser chique não tem nada a ver com roupas caras ou futilidade, mas sim com equilibrar a aparência e o conteúdo em si.

A Cool Magazine teve um imenso prazer de entrevistar este ícone fashionista e trouxe uma entrevista exclusiva nesta edição. Confira!

COOL: Como você entrou no mundo da moda?
GK: Pela porta da sorte! Sempre gostei do assunto. Em um final de semana, em Ilhabela, encontrei um amigo jornalista que me perguntou se eu não gostaria de ir trabalhar no departamento de moda da Editora Abril que estava sendo montado naquele momento. Uma semana depois eu estava empregada!

COOL: Se pudesse voltar aos tempos em que atuava como jornalista, quem gostaria de entrevistar e não teve oportunidade?
GK: Eu continuo jornalista! E tem uma pessoa que eu adoraria entrevistar: a rainha Elizabeth. Eu daria uns copinhos de gin tonic para ela e pediria que abrisse a alma e contasse tudo! Sobre a família, o marido, as obrigações, frustrações, alegrias… E no final, pediria para ela abrir a bolsinha preta e mostrar (finalmente) ao mundo o que tem dentro dela.

COOL: O que muda em relação ao comportamento numa época em que as redes sociais ditam novas maneiras para as pessoas se relacionarem?
GK: Muda tudo. Você sai de um mundo privado para entrar na esfera pública.

COOL: Qual a importância da aparência na sociedade atual?
GK: Muito maior do que deveria ter.

COOL: É possível estar bem vestido sem gastar demais?
GK: Sim. Vestir-se bem dentro do próprio estilo é uma questão de informação e olho. Muito mais do que dinheiro.

COOL: E a clássica pergunta: o que é ser chic?
GK: Ser chic é cuidar bem da aparência e muito bem do seu conteúdo.

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Site: www.chic.com.br