Por Bianca Mielcke
O D-EDGE Festival 2026 (D26) elevou ainda mais a ambição de sua segunda edição ao confirmar um palco assinado pela lendária Defected Records, um dos selos mais influentes da história da house music mundial. Realizado no KOMPLEXO TEMPO, em São Paulo, o festival celebrou os 26 anos de trajetória do D-EDGE e ampliou sua proposta artística ao incorporar uma das gravadoras mais reverenciadas do gênero em um espaço exclusivo, com identidade própria e curadoria dedicada.
Fundada em Londres por Simon Dunmore, a Defected Records rapidamente se consolidou como um verdadeiro ecossistema cultural da house music. Seu primeiro lançamento, “Soulsearcher – Can’t Get Enough”, alcançou sucesso imediato nas paradas britânicas e abriu caminho para uma sequência de hits que ajudaram a consolidar o gênero como linguagem global de pista. Ao longo de mais de duas décadas, o selo reuniu artistas que se tornaram pilares da cena internacional, como Masters At Work, Dennis Ferrer, MK, Inner City, Jamie Jones, Gorgon City, Peggy Gou, John Summit e Purple Disco Machine, além de brasileiros como Vintage Culture, Mochakk, DJ Meme e Malive. Mais do que um catálogo de lançamentos, a Defected construiu uma comunidade global por meio de festivais próprios, residências em Ibiza, turnês internacionais e forte presença digital, mantendo a house como eixo central de conexão, pertencimento e celebração.
A presença da Defected no D26 representou mais do que um reforço de line-up: simbolizou o encontro de duas instituições que compartilhavam visão, consistência e respeito à cultura de pista. À frente do D-EDGE desde sua fundação, Renato Ratier sempre defendeu que música eletrônica é narrativa, experiência e identidade. Sob sua liderança, o clube tornou-se referência internacional por unir arquitetura sensorial, tecnologia de ponta e direção musical criteriosa, criando um ambiente onde som, luz e espaço dialogavam de forma orgânica. Ratier construiu o D-EDGE como uma marca autoral, capaz de transitar entre o underground e o mainstream sem perder autenticidade, e o festival surgiu como extensão natural dessa trajetória.
O D-EDGE abriu suas portas na Rua Olga, na Barra Funda, desbravando uma região industrial que, ao longo dos anos, se transformou em importante polo cultural e noturno da cidade. As histórias do clube passaram a se confundir com a própria expansão da música eletrônica no Brasil, acompanhando o movimento que levou o gênero dos nichos underground ao grande público. Ao completar 26 anos, o D-EDGE reafirmou seu papel como plataforma de encontros históricos e experiências imersivas.
O D26 já havia anunciado apresentações marcantes, como o aguardado B2B entre Carl Craig e Moodymann, além de nomes como Nastia, Beltran, DJ Marky, o próprio Ratier, Daria Kolosova, Aline Rocha, Len Faki, Yamagucci, Cour T. B2B Mishell e Anderson Noise B2B DJ Murphy. Com o palco exclusivo da Defected Records, o festival ampliou suas dimensões e aprofundou sua curadoria house, entregando uma experiência que uniu tradição e inovação, memória e futuro, pista e comunidade. Sob a condução de Renato Ratier, o D-EDGE Festival 2026 se consolidou não apenas como uma celebração de aniversário, mas como um marco na história recente da música eletrônica no país.










