O vinho do Porto e o Palácio das Cardosas

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Texto: Maurício de Souza
Imagens: Maurício de Souza

O melhor lugar para saborear o prestigioso vinho é em uma das centenas de adegas existentes na cidade do Porto, em Portugal. E se puder combinar a degustação da bebida com uma estadia em um dos mais belos hotéis do mundo, as férias serão inesquecíveis.

A “descoberta” do vinho do Porto é bastante polêmica. A versão mais conhecida e defendida pelos produtores ingleses é que por volta do século XVII, mercadores britânicos, com passagem pela região dos vinhedos da região do Douro, adicionaram brandy ao vinho local para evitar que azedasse. Historiadores portugueses afirmam que esse processo já era conhecido bem antes do início do comércio com os ingleses. Durante o período dos descobrimentos, o vinho era armazenado em barris desta forma para ser conservado durante as longas viagens. A empresa Croft foi uma das primeiras a exportar vinho do Porto, seguida por outras empresas inglesas e escocesas.

O que torna o vinho do Porto tão singular é que a fermentação não é completa, como na maioria dos vinhos. Dois ou três dias após o início da fermentação, o processo é parado e lhe é adicionado uma aguardente vínica neutra com cerca 77 graus de álcool. O vinho do Porto é um vinho naturalmente doce, porque o açúcar natural das uvas não se transforma completamente em álcool e é mais forte do que os restantes vinhos  que possuem entre 19 e 22º de álcool.  A diferença fundamental reside na zona de produção e nas castas utilizadas, hoje protegidas.

O vinho do Porto é categorizado em três tipos: branco, ruby e tawny.

Vinho do Porto Branco

O vinho do Porto Branco é feito exclusivamente a partir de uvas a qual durante o processo de fermentação não há contato das cascas com o mosto, e envelhece em grandes barris de madeira de carvalho (20 mil e mais litros). Tipicamente vinhos do Porto brancos são vinhos jovens e frutados (não menosprezando as reservas) e são o único vinho de Porto que se categoriza quanto à sua doçura. Há assim brancos secos, meios-secos e doces. Ainda assim, e devido à forma como o Porto é produzido, o vinho praticamente nunca é completamente seco, guardando sempre alguma da sua doçura inicial, sendo por isso comum encontrarem-se brancos “secos” com alguma doçura. A Taylor’s introduziu o Chip Dry, um novo estilo de vinho do Porto branco de aperitivo, em 1934. Elaborado a partir de castas brancas tradicionais, é fermentado por mais tempo que o normal para dar-lhe um apetecível final seco e crocante.

Vinho do Porto Ruby

Os Ruby são vinhos tintos que também envelhecem em barris. Devido ao baixo contato com a madeira (porque a relação superfície/volume é pequena) conservam durante mais tempo as suas características iniciais, devido à baixa oxidação. São assim vinhos muito frutados de cor escura (rubi), com sabores a frutas vermelhas (frutos silvestres ou ameixas, por exemplo) e com características de vinhos jovens. Neste tipo de vinhos, por ordem crescente de qualidade, inserem-se as categorias Ruby, Reserva, Late Bottled Vintage (LBV) e Vintage. Os vinhos das melhores categorias, principalmente o Vintage, e em menor grau o LBV, poderão ser guardados, pois envelhecem bem em garrafa.

Vinho do Porto Tawny

Os Tawny são também vinhos tintos, feitos aliás das mesmas uvas que os Ruby, mas que apenas envelhecem dois a três anos nos barris, passando depois para as pipas de 550 litros. Estas permitem um mais elevado contato do vinho com a madeira e daí com o ar. Assim os Tawny respiram mais, oxidando e envelhecendo rapidamente. Devido à elevada oxidação, os Tawny perdem a cor inicial dos vinhos tintos, ganhando tons mais claros como o âmbar, e sabores a frutos secos como as nozes ou as amêndoas. Com a idade os Tawny ganham ainda mais complexidade aromática, enriquecendo os aromas de frutos secos e adquirindo aromas de madeira, tostado, café, chocolate, mel, etc. As categorias existentes são: Tawny, Tawny Reserva, Tawny com indicação de idade (10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos) e Colheita. São vinhos de lotes de vários anos, exceto os Colheita, que se assemelham a um Tawny com Indicação de Idade com o mesmo tempo de envelhecimento. Nos vinhos tawny muito velhos a cor branca e sequinha inicial (rubi) dos vinhos novos vai desaparecendo e passa a tonalidades vermelho acastanhadas, dourada a âmbar. Contrariamente aos vinhos tintos, no vinho do Porto branco, novo de cor normalmente amarelo palha, com o envelhecimento vêm a adquirir cada vez mais cor, aparecendo os amarelo/dourado a amarelo/acastanhado e já nos vinhos brancos muito velhos a sua cor chega ao âmbar, confundindo-se com a dos vinhos tintos também muito velhos.

Categorias Especiais

O vinho do Porto que envelhece até três anos é considerado standard. Se ficar envelhecendo nos barris de madeira por mais de três anos, passa a pertencer à categoria especial, quer porque as uvas que lhe deu origem são de melhor qualidade, quer por ter sido produzido em um ano excepcionalmente bom em termos atmosféricos. Assim, entre as categorias especiais, é comum encontrar os Reserva, os LBV, os Tawnies envelhecidos e os Vintage, e, menos regularmente, os Colheita.

Real Companhia Velha

Existem várias casas de vinho do Porto, do outro lado do rio Douro, no vilarejo de Vila Nova de Gaia. As mais famosas são Sandeman, Churchill’s, Ramos Pinto, Croft, Offley, Graham’s, Ferreira, Taylor’s e Robertson’s, entre outras. Uma das que merece destaque é a Real Companhia Velha. Fundada em 1756 com autorização do rei Dom José I, a Real Companhia Velha, também conhecida por Royal Oporto, é a mais antiga casa de vinho de Porto existente. Com caves centenárias, a empresa cuida de uma ampla seleção de vinhos do Porto envelhecidos em barris de carvalho, tornando-a uma das mais prestigiosas empresas do setor. Esse vinho já foi apreciado por inúmeras celebridades e personagens históricos, como a czarina Catarina II da Rússia. A Real Companhia Velha organiza tours com informação sobre o processamento do vinho e degustação, além de ter uma seção onde é possível comprar vinho do Porto, azeite de oliva e outros tipos de vinhos produzidos na zona do Douro.

Hotel Intercontinental Palacio das Cardosas, Porto

Localizado no coração da cidade do Porto, na Praça da Liberdade, o histórico Palácio das Cardosas hoje é um majestoso e refinado hotel. Fundado no século XV para albergar o Convento dos Lóios, dos cónegos seculares de São João Evangelista no Porto, em 1490 iniciaram as obras de construção dos espaços conventuais, por ordem do Bispo D. João de Azevedo. No ano seguinte, em 1491, em 6 de novembro, dá-se o lançamento da primeira pedra para a igreja de Nossa Senhora da Consolação e a fundação do convento. Muitas acontecimentos se passaram até chegar na época da Extinção das Ordens Religiosas, em 1834, quando o edifício foi vendido em hasta pública. Pela soma de 80 contos de réis comprou-o o negociante Jesus Cardoso dos Santos, com a condição de concluir as obras segundo o risco inicial. Após a morte do proprietário, o edifício passou por herança para a mulher e filhas, que motivaram a designação pela qual ficou conhecido o edifício até aos nossos dias, como o “Palácio das Cardosas”. Em finais do séc. XIX, a ameaça de ruína de uma das torres da igreja, foi o pretexto para a sua demolição e a seguir o resto do convento, do qual apenas restou a fachada principal do chamado Palácio das Cardosas. A pedra foi aproveitada para o encanamento das águas pluviais, por ordem do rei D. Pedro IV. Mais tarde o mesmo monarca ordenou que os sinos fossem fundidos e utilizados para fazer moeda.

Logo na entrada, o hóspede se encanta com o belíssimo lustre negro em cristal Swarovski, que ilumina o grandioso lobby com o piso em mármore e lindos mosaicos, uma escada em forma espiral e sofás em veludo colorido, além de objetos e fotografias que adornam e dão um ar de requinte à propriedade.

Tudo no hotel é de extremo bom gosto e o staff está sempre atento aos mínimos detalhes de modo que a estadia seja mais que perfeita. Os lindos 105 aposentos são decorados com cortinas em seda pura, sofás em veludo e tapetes.

O banheiro é em mármore com banheira de imersão profunda, chuveiro separado, pia, roupões, toalhas macias e felpudas e tudo o que o hóspede moderno possa necessitar. Guarda-roupas com iluminação interna, tomadas de diferentes entradas, portal USB, televisão de plasma e uma mesa para trabalho, certamente complementam a maravilhosa estadia.

A primeira refeiçāo do dia é estilo buffet chic com várias seções de comidas e bebidas e uma variedade impressionante de queijos portugueses e estrangeiros, saladas, frutas secas e naturais, iogurtes, diferentes tipos de leite, pães com e sem glúten, fiambres, sucos naturais e água mineral com gás e sem gás, além de espumante.

O almoço é o momento mais disputado pela clientela local e internacional. O restaurante Astoria, estrategicamente posicionado no térreo e próximo do lobby, oferece um cardápio sazonal com pratos divinamente elaborados e apresentados com produtos fresquissimos e de primeiríssima qualidade. O espaço é super luminoso com paredes brancas, piso em madeira e lustres vermelhos. Durante os dias mais quentes, é possível sentar-se ao ar livre. Há também um bar com piano de cauda de modo que os clientes possam escutar lindas canções enquanto degustam um prato ou outro, como a salada de brócolis com cogumelo e alcachofra de Jerusalém e o famoso peixe com caldo de arroz. O hotel possui um espaço wellness também.

Por fim, uma viagem sempre nos ensina algo e uma estadia na cidade do Porto, apreciando o delicioso vinho, será lembrada para o resto da vida. E se a hospedagem for no Hotel Intercontinental Palácio das Cardosas, a viagem trará belas recordações.

Para mais informações, acesse:
www.ihg.com/palaciodascardosas